Derivada do Projeto 195/2021, de autoria do
deputado Yglésio Moisés (PROS), foi sancionada na terça-feira
(3), pelo governador Flávio Dino (PSB), a Lei 11.519/2021,
que dispõe sobre o direito à saúde das mulheres que passem por perdas
gestacionais,
Na formulação do projeto, o parlamentar explicou que se
considera perda gestacional toda e qualquer situação que resulte em óbito
fetal, morte neonatal ou interrupção médica gestacional legalmente autorizada.
A lei prevê que as unidades de saúde das redes pública
e privada do Maranhão devem garantir os direitos das mulheres que passem por
perda gestacional, assegurando-as, ainda, acompanhamento por pessoa de sua
escolha e informações acerca de qualquer procedimento que seja adotado.
Elas, também, não poderão ser submetidas a quaisquer exames ou
procedimentos sem fundamentação científica sem seu consentimento
expresso, constrangidas ao ponto de serem obrigadas a conter
emoções e sensações e nem coagidas a permanecer em silêncio.
Garantias
Também estão garantidos a liberdade de escolha
sobre o contato físico imediatamente após o nascimento, em caso de natimorto,
desde que a saúde da parturiente seja preservada; permanecer no pré-parto e no
pós-parto imediato, em enfermaria separada de outras pacientes que não sofreram
perda gestacional; respeito ao tempo de luto para a mãe e seu
acompanhante, para a despedida do feto ou natimorto, e acompanhamento
psicológico.
No projeto, o deputado Yglésio Moyses afirma que a morte
de um filho, ainda que em fase de gestação, implica em grande impacto para os
pais, em especial à mãe, haja vista que é quem vivencia a experiência
diretamente em função das transformações corporais. Em caso de abortamento, ela
ainda enfrenta a retirada do feto por meio de um procedimento extremamente
invasivo.
“Todo esse processo resultante da perda gestacional, que já é
muito complicado, ainda apresenta empecilhos quanto às imposições sociais ao
corpo e à liberdade feminina”, afirma o deputado.
Além disso, a recusa de atendimento, as intervenções e
procedimentos médicos não necessários e as agressões verbais ou físicas
também são situações enfrentadas por muitas mulheres.
“Esse é o cenário de violência obstétrica, que uma em cada
quatro mulheres sofre no Brasil, segundo dados de estudo apresentado pelo
Observatório de Violência Obstétrica”, afirmou Yglésio, ressaltando,
ainda, que sua proposição visa intervir para garantir os direitos das mulheres
que sofrem com a perda gestacional.

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