A Câmara
Municipal de Bacabal aprovou, durante sessão plenária realizada na tarde de
quarta-feira (18), o Projeto de Lei nº 1.725/2026, de iniciativa do Poder
Executivo, que proíbe a pulverização aérea de agrotóxicos em todo o território
do município. A proposta também estabelece sanções administrativas e define
outras medidas relacionadas ao tema.
A matéria
foi aprovada por ampla maioria, registrando apenas um voto contrário, do
vereador Cândido de Madureira.
Antes da
votação, a presidente do Legislativo, vereadora Natália Duda, apresentou os
pareceres das comissões de Meio Ambiente e de Constituição e Justiça, que
analisaram tanto a legalidade quanto o mérito da proposta.
Durante a
sessão, a parlamentar destacou a gravidade dos impactos causados pela
pulverização aérea, manifestando solidariedade às famílias de agricultores do
povoado Pau D’Arco, que recentemente sofreram com casos de intoxicação após a
aplicação de agrotóxicos em área próxima às plantações. Segundo ela, trata-se
de uma situação preocupante, com efeitos diretos na saúde da população exposta.
Natália Duda
também ressaltou que o projeto foi amplamente debatido antes de ser levado à
votação, com a escuta de representantes do setor agropecuário e de pequenos
produtores rurais. De acordo com a presidente, a análise prévia garantiu mais
responsabilidade e segurança na decisão do Legislativo.
A
pulverização aérea de agrotóxicos consiste na aplicação de defensivos agrícolas
por meio de aeronaves, como aviões e drones, sendo reconhecida pela agilidade e
alcance. No entanto, especialistas apontam que essa prática pode provocar a
dispersão dos produtos para além das áreas de cultivo, atingindo comunidades,
recursos hídricos e o meio ambiente, além de representar riscos à saúde humana.
No Brasil, a
legislação estabelece limites para esse tipo de aplicação, como distâncias
mínimas de áreas habitadas e mananciais. Ainda assim, a dificuldade de
fiscalização tem contribuído para ocorrências de contaminação em diferentes
regiões.
O debate
sobre a proibição da pulverização aérea vem ganhando espaço em todo o país, com
propostas em análise no Congresso Nacional e iniciativas semelhantes sendo
discutidas em diversos estados. Em nível internacional, a União Europeia já
proíbe essa prática desde 2009.
Em Bacabal,
o tema ganhou maior repercussão após um caso registrado no início deste ano, no
povoado Pau D’Arco, onde moradores foram afetados pela aplicação de
agrotóxicos, resultando em prejuízos à saúde, à produção agrícola e ao meio
ambiente.
Diante desse
cenário, o Poder Executivo editou o Decreto nº 1.016/2026, declarando situação
de risco sanitário e ambiental e suspendendo, de forma preventiva, a
pulverização aérea no município.
Com a
aprovação do projeto de lei, a proibição passa a ter caráter permanente. A nova
legislação determina que a prática, realizada por drones ou qualquer tipo de
aeronave, fica vetada em Bacabal, independentemente da finalidade, prevendo
multa administrativa de R$ 50 mil por ocorrência em caso de descumprimento.
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